A etapa nº 10 do Tour de France é a primeira verdadeira etapa de montanha desta edição. De Mâcon a Bellegarde-sur-Valserine, num percurso que se estende por 194.5 km, esta etapa é referenciada no livro oficial do Tour como uma das três etapas de grande dificuldade. Com três contagens de montanha, incluindo a primeira hors categorie (contagem de categoria especial) do Tour, espera-se muita ação e ataques e após o 1º dia de descanso, acontecem sempre surpresas e reviravoltas entre os favoritos.
A etapa começa relativamente fácil, com os primeiros 75 km
planos. Espera-se que a formação da fuga seja intensa com muitos ciclistas a
atacarem pela inclusão na fuga do dia, pois existe uma boa possibilidade de vitória
na etapa e com a primeira categoria extra, a luta pela classificação da
montanha começa a moldar-se. A fuga, contudo, não deverá demorar tanto tempo a
formar-se, como foi o caso da etapa nº8.
Antes de abordamos o prato do dia, as montanhas, umas
pequenas palavras sobre o sprint intermédio. Ele situa-se ao km 130.5, mas
apenas após a passagem por uma contagem de montanha de 2ª categoria. Ciclistas
como Peter Sagan e Matthew Goss não deveram ter problemas
em ultrapassar a 2ª categoria e poderão os dois disputar o sprint. Isto
depende, como é óbvio, de quantos ciclistas vão ingressados na fuga. Em todo o
caso, o acesso ao sprint intermédio é feito em terreno plano e sem dificuldadesAs Montanhas
- KM 90 – Côte de Corlier 762m – 6.4 km a 5.5% - 2ª Categoria
- KM 151.5 – Col du Grand Colombier 1501m – 17.4 km a 7.1% - Categoria Extra
- KM 174 – Col de Richemond 1051m – 7.2 km a 5% - 3ª Categoria
Como podemos ver pelas características das 3 montanhas, a
verdadeira montanha do dia é o Col du Grand Colombier. É a sua estreia na Grande Boucle, que segundo o diretor de
corrida Jean-François Pescheux é a subida mais dura em França. Retirando a
óbvia tentativa de hype por parte do diretor de corrida, temos na mesma uma
subida duríssima que irá separar os homens dos meninos.
Como podemos ver no gráfico, esta é uma subida longa e com muitas variações no gradiente de inclinação. Ora está a 6,8% como passa a 9,4%, ora está a 4,5% como de repente está nos 8,7%. Não há dois km iguais, o que se juntarmos às duas seções de “plano” e às várias rampas na subida de 12-14% tornam esta subida muito tática e especialmente difícil aos ciclistas que não gostem de muitas variações de ritmo. Ciclistas que não estejam a passar pelos melhores momentos vão sofrer muito para se aguentarem no grupo dos mais fortes.
Mas não é só da subida que o Col du Grand Colombier se
trata. A descida de 15 km até ao início da última contagem do dia é muito
técnica e manhosa. O perfil da descida é quase um espelho do perfil da subida com
as rampas de elevada inclinação a também fazerem parte da descida. O Col du
Grand Colombier vai proporcionar espetáculo e ataques em ambas as faces, quer
na subida quer na descida.
Imediatamente após a descida do Grand Colombier, os
ciclistas vão enfrentar a última subida do dia, mas também a menos complicada.
São 7 km a 5% de inclinação, comparando com a anterior parece um passeio no
parque. Mas, os ciclistas vão atingir este ponto da corrida com poucas energias
e com poucos companheiros à sua volta. O Col de Richemond pode ser uma tábua de
lançamento para um ataque final.
Após a passagem pela meta da 3ª categoria, existem mais 15
km em descida. Contudo, esta descida nada tem a ver com a anterior. É menos
técnica e com muito menos curvas, não permitindo causar tantas diferenças entre
os especialistas e os não-especialistas.
O Final
Os últimos km são feitos em descida rápida até à localidade
de Bellegarde. Os 4 km finais são feitos em ligeira descida ou em ligeira
subida, exceto o último km. Estes últimos 1000m são feitos a uma inclinação
média de 4,8%. A estrada nos últimos 5 km não apresenta dificuldades de maior.
Uma ponte estreita a 4 km, curva e conta-curva a 3.5 km e uma curva à direita a
1200m são os únicos pontos que requerem alguma atenção.
Os Favoritos
Com fortes probabilidades de a fuga alcançar a vitória na
etapa, haverá certamente muitos ciclistas de renome a ingressar a fuga do dia.
Homens como Thomas Voeckler, Alexandre Vinokourov e Alejandro Valverde já abandonaram as
suas aspirações na classificação geral e procuram agora a glória com vitórias
em etapas. Pierre Roland e Michele Scarponi poderão ser outros a
atacar logo de início, principalmente se ainda tiverem a intenção de recuperar
lugares na CG.
Há equipas que vinham com ciclistas para competir dentro do
top5, mas devido às quedas, os seus líderes ficaram muito atrasados ou tiveram
mesmo que abandonar. É o caso da Rabobank e da Euskaltel-Euskadi, e não seria
surpresa se já hoje tentassem por homens em fuga para lutar pela etapa, como o
caso de Bauke Mollema e Egoi Martinez.
Entre os favoritos, a Sky vai ser muito atacada e hoje vai
ser o seu 1º grande teste. Jurgen Van
Den Broeck já prometeu atacar sempre que esteja com possibilidades, por
isso espera-se muitas movimentações do belga da Lotto Belisol. O perfil de
etapa encaixa muito bem num homem como Vincenzo
Nibali, que se conseguir aliar-se a Cadel
Evans, podem os dois quebrar a armada britânica.
A Sky certamente irá ao máximo aguentar os ataques da
concorrência, com Christopher Froome a
ser o último guardião do camisola amarela Bradley
Wiggins. O duo britânico não tem qualquer incentivo a atacar, por isso irão
tomar uma atitude defensiva e de contenção que poderá muito bem resultar nas
subidas. Contudo, as descidas também irão ter um papel importante e aí Wiggins
tem mais dificuldade do que os seus rivais.
É importante relembrar a etapa nº 5 do Critérium du Dauphiné
deste ano. Essa etapa teve um perfil semelhante à etapa de hoje, com os
ciclistas a subir a Grand Colombier seguido do Richemond tal como se irá
suceder hoje. Nessa etapa, a BMC juntamente com Nibali atacou a Sky, que tinha
a camisola amarela nos ombros de Bradley Wiggins, na descida da Grand
Colombier, tendo alcançado uma vantagem que chegou ao 1 minuto. Tanto Evans
como Nibali foram apanhados na subida do Richemond. Wiggins acabaria por vencer
o Dauphiné. Será que a mesma história se vai repetir no Tour de France?
A transmissão televisiva começa às 13:00, podendo acompanhar
a etapa na Eurosport por volta da mesma hora, com o final previsto para as
16:30. Uma etapa com muita ação, por isso quanto mais cedo acompanhar a transmissão,
melhor.



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