A etapa nº 14 do Tour de France liga as localidades de Limoux a Foix num percurso de 191 km. Esta etapa marca o início da entrada nos Pirenéus e embora não seja a etapa mais difícil que os ciclistas vão enfrentar neste Tour, a etapa de hoje será marcada pela estreia na Grande Boucle do Mur de Péguère. Tecnicamente, esta subida já foi inserida no Tour em 1973, mas na altura os ciclistas recusaram-se a subi-la e ensaiaram uma greve, porque as estradas estavam num estado lastimável. Por isso, esta será a 1ª vez que os ciclistas vão utilizar a subida no Tour e espera-se grande espetáculo.
O Percurso
O perfil da etapa aponta claramente para uma fuga vingar e o
vencedor da etapa faça parte dessa fuga. Por essa razão, as tentativas de fuga
serão muitas e a formação da fuga certa não deverá ser concluída logo ao início.
Espera-se, portanto, que os primeiros 30 km sejam destinados para a formação da
fuga, com a 2ª categoria de 5.3 km a 6.3% a ser o palco para a fuga começar-se
a definir e a ganhar vantagem.
Após o topo da 2ª categoria situado ao km 30, os ciclistas
enfrentaram 70 km acidentados mas relativamente planos. A vantagem da fuga irá
rapidamente alargar nestes km de modo a garantir vantagem suficiente para
poderem discutir entre eles a vitória na etapa. No fim destes km acidentados
situa-se o sprint intermédio, sensivelmente a 90 km da meta. Como podemos ver,
o sprint é feito em ligeira descida e não apresenta dificuldades no acesso à
linha do sprint, que está situada após uma reta de 700m. Peter Sagan tem cada vez mais a liderança na classificação por
pontos assegurada, mas os seus rivais não irão deitar a toalha ao chão e vão
continuar a lutar pela camisola verde.As Montanhas
- KM 30 – Col du Portel 601m – 5.3 km a 6.3% - 2ª Categoria
- KM 126.5 – Port de Lers 1517m – 11.4 km a 7% - 1ª Categoria
- KM 152.5 – Mur de Péguère 1375m – 9.3 km a 7.9% - 1ª Categoria
Após o sprint intermédio os ciclistas enfrentam 15 km de
terreno acidentado e a subir de acesso à primeira das 2 contagens de 1ª
categoria, o Port de Lers. Como podemos ver, esta subida de 1ª categoria não é
nada fácil e uma ascensão superior a 10 km a 7% são os critérios de uma subida
dura no Tour. Contudo, depende dos ciclistas e do ritmo que eles tomam na ascensão
e o facto desta subida encontrar-se a mais de 60 km da meta e anteceder a
subida mais dura do dia pode inibir os ciclistas de atacarem os km de
inclinação mais elevada.
Após o topo da primeira contagem de 1ª categoria do dia, os
ciclistas entram em 16 km de descida em direção à base do que certamente será o
ponto alto deste dia, o Mur de Péguère. São mais de 9 km de ascensão, mas a
história desta subida não será feita nos km iniciais. A ascensão começa “fácil”
com os primeiros 3 km a 6%. De seguida os ciclistas têm um km de descanso a
2,8% para depois enfrentar mais 2 km a 6,5% de inclinação. Nada de especial até
este momento e o leitor pode começar-se a questionar sobre o porquê de esta
subida ser importante.
A resposta vem nos 3.5 km finais, que serão feitos a uma
inclinação média de 12%. É um último terço de subida brutal, com seções a
chegar aos 16 e 18%. Juntando ao facto do Tour raramente utilizar estradas tão
ingremes e estreitas e os milhares de pessoas que estarão presentes na subida,
será uma subida emocionante rodeada de um grande ambiente que proporcionará
imagens fantásticas.
O Final
Após o Mur de Péguère, os ciclistas enfrentam 20 km de descida
seguidos de 20 km planos. Curiosamente, quando faltarem 12 km para a meta, os
ciclistas passam a pouco menos de 500m da meta. Contudo, a organização decidiu
acrescentar mais km à parte final, obrigando os ciclistas a irem para norte e
cruzar uma ponte a 6 km da meta para voltarem para trás pelo outro lado do rio
em direção à meta. Esta ponte situada a 6 km da meta é mesmo o perigo mais importante
nos km de acesso à meta, assim como a ultima viragem de 90º para os 300 metros
finais em linha reta.Os Favoritos
Com as probabilidades altas de o vencedor da etapa sair de
uma fuga e duas 1ª categorias importantes para a luta da camisola das bolinhas,
espera-se muita ação na parte inicial da corrida com já grandes nomes a
passarem ao ataque na tentativa de ingressar na fuga correta. Chris Anker Sorensen continua com
vontade de liderar a classificação montanha e não será de estranhar que hoje
entre na fuga assim como o seu colega de equipa português Sérgio Paulinho. Fredrik
Kessiakoff irá também entrar na fuga caso veja a sua camisola das bolinhas
em perigo.
Com outra vitória em mente, não é de descartar Thomas Voeckler atacar no início da
etapa. Um ciclista que tem já tem procurado muitas vezes a vitória, mas sem
sucesso, é Luis Leon Sanchez e hoje
é mais uma etapa à sua medida. Espera-se movimentações por parte da Movistar
com Alejandro Valverde a liderar os
ataques e não seria os Pirenéus sem vermos o laranja da Euskaltel, que apesar
de ter já muitos abandonos vai atacar nestas etapas. Hoje podermos ver ao
ataque Izaguirre Insausti.
Os grandes favoritos
dentro do top10 não se podem dar ao luxo de não atacarem e com apenas 3 etapas montanhosas
restantes, todas as oportunidades devem ser aproveitadas. Espera-se que as
equipas e os ciclistas que querem derrubar a Sky aumentem muito o ritmo logo na
1ª contagem de montanha de modo a deixar Bradley Wiggins e Christopher
Froome sozinhos para a ultima subida e depois distancia-los nos 3.5 km
finais do Mur de Péguère. Será uma possível estratégia para por em prática por Jurgen
Van Den Broeck, Cadel Evans e Vincenzo Nibali. Estes últimos dois
ciclistas tem também a descida para a meta para efetuar diferenças em relação ao
camisola amarela.
A transmissão televisiva começa por volta das 13:00, podendo
acompanhar a etapa na Eurosport à mesma hora e pelas 15:00 na RTP2, com o final
da etapa previsto por volta das 16:30.

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