A etapa nº 15 do Tour de France liga as localidades de Samatan a Pau, num percurso acidentado de 158.5 km. Enquanto Samatan estreia-se nas andanças do Tour, Pau é já uma das localidades mais conhecidas e históricas da Grande Boucle. De facto, Pau é a localidade com mais presenças no Tour com 64 etapas na história da prova a começar ou a acabar nesta cidade dos Pirenéus.
O Percurso
Quando o nome de Pau está situado à chegada ou no início de
uma etapa, prevê-se uma etapa com muita montanha. Não é o caso do dia de hoje
que, aparte de duas contagens de 4ª categoria e uma de 3ª categoria, vai ser
percorrido em terreno relativamente plano e acidentado.
Da primeira metade da etapa não se espera muita história,
sendo a formação da fuga do dia o ponto mais interessante dos primeiros 100 km.
É de prever um início muito rápido da etapa com várias tentativas de fuga por
parte de ciclistas de muitas equipas até que a Sky dê a sua “bênção” à fuga e
ela seja livre de começar a aumentar a sua vantagem.
Estes 100 km iniciais são em terreno plano mas recheados de
pequenos sobe-e-desce ao longo do percurso. No papel não é relevante, mas após
mais de 2 semanas e de 2500 km em corrida haverá certamente ciclistas que não
irão apreciar estas mini-dificuldades. Ao km 101.5 encontra-se o sprint
intermédio. Como podemos ver, os 3 km de acesso são completamente planos e
todos feitos numa longíssima reta. Com Peter Sagan já a quase 100 pontos do 2º
classificado os seus rivais vão começando a anunciar a derrota e estes sprints
intermédios vão perdendo o seu interesse.
Após o sprint intermédio os ciclistas enfrentam as colinas
do dia. São 3 contagens de montanha espalhadas por 30 km. As três colinas são
relativamente idênticas, entre 1.5 e 2.1 km e entre 5.3% e 6.3%, e fáceis de
ultrapassar, por isso não se espera muita ação nestas contagens de montanha. Se
por acaso a fuga estiver neste ponto praticamente condenada, estas subidas
podem servir de rampa para um fugitivo ainda sonhar com a vitória na etapa.
O Final
A última das três contagens de montanha está situada a 30 km
da meta. Estes 30 km finais vão ser percorridos em terreno praticamente plano.
Como podemos ver no gráfico, os 5 km finais são completamente planos e propícios
a uma chegada em pelotão compacto para ser disputada pelos sprinters. Existem
vários pontos de perigo dentro dos últimos km, com várias rotundas e curvas de
90º, principalmente entre os 7 e os 3 km finais. Os últimos 2000 metros são
mais simples, com apenas uma curva apertada à direita e uma curva longa à
esquerda já dentro do último km. A reta final para a meta é de 600m feita numa
estrada com largura de 8.50m.Os Favoritos
No papel, esta etapa é destinada aos sprinters. Mas com
muito Tour já nas pernas dos ciclistas, as equipas encontram-se mais fracas e a
perseguição torna-se mais complicada. Por isso, não será de espantar que a fuga
venha a ter êxito. Na minha opinião, as probabilidades de um sprint compacto em
relação a uma fuga bem-sucedida é de 50/50.
Com o Tour a ser dominado pelas equipas da Sky, Liquigas e
Lotto Belisol (as três em conjunto já amealharam 9 etapas), existem muitas
equipas que vão sair das 3 semanas sem uma vitória. Por isso, essas equipas vão
tentar ao máximo colocar homens em fuga na esperança da fuga resultar. A Argos
é um desses casos e já sem Kittel e Veelers, podemos esperar Koen de Kort na tentativa de fuga de
hoje. Outros nomes a ter em conta são o de Luis
Angel Maté (Cofidis), Marco Marcato
(Vacansoleil) e Luca Paolini
(Katusha). A etapa de hoje passa por estradas muito conhecidas de Pierrick Frédigo e o homem da FDJ
poderá tentar a sua sorte hoje.
Entre os sprinters, o favoritismo cai no germânico André Greipel. Enquanto que Peter Sagan esteve escapado na etapa
anterior e Mark Cavendish foi visto
a trabalhar imenso, Greipel será dos sprinters mais fresco, juntamente com Matthew Goss. Yauheni Hutarovich ainda se encontra em prova e Sébastien Hinault tem efetuado
resultados consistentes, os dois ciclistas podem hoje pôr os grandes sprinters
à prova.

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