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terça-feira, 17 de julho de 2012

Análise do Tour: Prize Money



O Tour está hoje no seu 2º dia de descanso na cidade de Pau nos Pirenéus. Os ciclistas vão aproveitar ao máximo o dia de hoje para descansar e preparar a última parte deste Tour que inclui ainda duas etapas de alta montanha e um contrarrelógio individual antes da consagração em Paris.

Enquanto no 1º dia de descanso fizemos uma pequena análise às figuras principais do Tour e classificamos as suas performances, neste 2º dia de descanso vamos fazer uma coisa diferente, mas que servirá o mesmo propósito, que é analisar o Tour e ver quem está melhor e quem está pior.

Hoje olhamos para o prize money até agora amealhado pelas equipas no Tour. Este aspeto do Tour de France sempre foi, na nossa opinião, muito interessante e pouco debatido/discutido e é uma ferramenta que ajuda-nos a perceber quem é que se destaca e quem está mais ativo dentro do pelotão, mas não necessariamente quem está em melhor forma, apesar de muitas vezes esse também ser o caso. É preciso também ter em mente, ao olhar para estes dados, que a maior fatia do prize money é dada em Paris.

Só para dar um exemplo, Haimar Zubeldia tem menos prize money do que o seu companheiro Jens Voigt. Contudo, se Zubeldia manter a sua posição dentro do top10 irá amealhar muito mais dinheiro em Paris do que Voigt. Ou seja, estes dados de agora não significam que Voigt está melhor do que Zubeldia, apenas que se mostra e se destaca mais com as suas fugas do que Zubeldia com os seus resultados dentro do top 20 em algumas etapas.

O gráfico acima mostra-nos qual é a situação neste momento e enquanto a Sky e a Liquigas a liderar faz todo o sentido, a Europcar e a FDJ tão perto da Lotto pode ser mais confuso (dica: os sprints intermédios ajudam muito). Um dado interessante: se Peter Sagan fosse uma equipa, ele estaria neste momento em 2º lugar no ranking do prize money e a Liquigas caía para trás da Euskaltel.

Vamos agora analisar as 22 equipas:


Ag2R La Mondiale: Jean-Christophe Peraud lidera com 4.800€, mas todos provenientes da etapa 12 onde terminou no 2º lugar. Sébastien Hinault arrecadou até agora 4.000€ a partir dos seus sólidos sprints com 6 etapas no top12, incluindo um 4º lugar. Nicolas Roche aparece em 3º com 3.190€ provenientes de 9 etapas a terminar no top20. Nota negativa para Maxime Bouet e Christophe Riblon cujos saldos estão a zero neste Tour. No geral, a Ag2R encontra-se no meio do pelotão, sinal de um Tour mediano por parte da equipa francesa.

Argos – Shimano: Apenas Tom Veelers se destaca nesta equipa profissional continental com 3.980€ provenientes do seu 3º, 4º e 6º lugar nas etapas 2,4 e 5. Órfã do seu homem principal Marcel Kittel, a equipa holandesa viu-se em dificuldades para apresentar resultados e a sua posição atrasada no ranking do prize money mostra isso mesmo. Um Tour negativo para já.

Astana: Fredrik Kessiakoff é o ciclista com maior destaque com 15.720€ muito devido às suas ações na montanha. Só por ter passado em 1º no Croix de Fer o ciclista sueco arrecadou 5.000€, devido ao bónus que se dá no ponto mais alto dos Alpes. Robert Kiserlovski, que abandonou na etapa 14, amealhou 5.720€ principalmente resultado da etapa 12, onde só o prémio da combatividade valeu 2.000€. Janez Brajkovic arrecadou 3.230€ dos seus top20 em 10 etapas diferentes. Nota negativa para Alexandr Vinokourov que se não tem produzido qualquer resultado de relevo neste Tour, tendo um saldo nulo. A Astana situa-se dentro do 1º terço do ranking e pode ainda receber bónus em Paris resultante da camisola das bolinhas e do top10 de Janez Brajkovic. Um bom Tour para a equipa cazaque.

BMC: Sem muitas surpresas, Cadel Evans é o líder com 13.000€, resultado de vários top20, especialmente dos dois 2º lugares nas etapas 7 e 8. Tejay Van Garderen amealhou até este momento 8.670€. Só a camisola branca trouxe 4.200€ e dois 4º lugares 2.400€. Em 8º lugar, esperava-se um pouco mais da BMC, especialmente com mais resultados por parte de Gilbert, 4 top10 rendeu 3.970€, e com Evans num nível mais próximo dos dois líderes da Sky. Contudo, a BMC ainda vai ter algumas oportunidades com Evans, que juntamente com Van Garderen deverão ser também premiados com bónus em Paris.

Cofidis: O líder no prize money da equipa francesa é Nicolas Edet, que com o prémio da combatividade e 3º no sprint intermedio da 1ª etapa amealhou 2.500€. Isto mostra bem a situação da Cofidis neste Tour, com Moncoutie já fora do Tour e sem brilhar nas montanhas e Taaramae muito longe dos lugares da frente, apesar de prometer muito nas etapas inicias. De facto, desde a etapa 8 que o único resultado de relevo é o 6º lugar na etapa 15 de Samuel Dumoulin, que é o 2º da equipa com 2.320€. Um Tour negativo para a Cofidis, que se encontra no último terço do ranking.

Europcar: A melhor equipa francesa e em 3º no ranking, com Thomas Voeckler a liderar os ganhos com 15.600€, resultado da performance nas etapas 10 e 15 onde terminou em 1º e 3º respetivamente. Pierre Rolland segue em 2º com 13.400€, que na etapa 11 juntou a vitória na etapa e o prémio de combatividade. De notar que só em sprints intermédios a Europcar amealhou 9.000€. Um Tour muito bom por parte da equipa profissional continental que aliado aos 2 vencedores de etapa tem outros ciclistas em boa forma como por exemplo, Cyril Gautier com 4.740€ de prize money.

Euskaltel-Euskadi: Sem Samuel Sanchez, a equipa basca tem tido dificuldades em produzir bons resultados, sendo o 3º lugar na etapa 12 de Egoi Martinez o ponto alto. Pablo Urtasun lidera o ranking, muito devido aos 3 sprints intermédios que lhe valeu 3.500€, seguido de Martinez com 3.330€. Com 2 etapas nos Pirenéus a Euskaltel ainda tem algumas oportunidades de se mostrar, mas para já encontra-se no último terço do ranking.

FDJ – Big Mat: A equipa francesa faz parte do lote de 4 equipas muito próximas umas das outras no 1º terço do ranking, estando atualmente no 5º lugar. O destaque cai em Thibaut Pinot, que arrecadou 15.840€ com o seu 1º e 2º lugar nas etapas 8 e 11 em principal destaque. Pierrick Fedrigo é o outro vencedor em etapa na equipa e com isso arrecadou 8.000€. Em sprintes intermédios a FDJ já arrecadou 5000€. Um Tour muito positivo para a equipa francesa, que tem também outros ciclistas com boas performance como é o caso de Sandy Casar (3.930€) e Matthieu Ladagnous (4.170€).

Garmin – Sharp: Com as sucessivas quedas na 1ª semana, que levaram ao abandono prematuro de Hesjedal e Danielson e deixaram debilitados a maior parte dos ciclistas, principalmente Farrar e Van Summeren, a equipa americana renasceu nas últimas etapas com a vitória de David Millar (9.900€) e o 2º lugar de Christian Vande Velde (4.000€) nas etapas 12 e 15 respetivamente. Nesta altura a Garmin encontra-se no a meio dos rankings. Uma nota menos positiva para Daniel Martin, que com apenas um 8º e um 17º lugar está com performances abaixo das expectativas.

Katusha: Uma das equipas pior colocadas no ranking, pouco ou quase nada se tem visto da equipa Russa. Denis Menchov lidera o ranking com 2.840€. Com quatro top 10 nas etapas 0,7,8 e 9 Menchov prometia inicialmente lutar por um lugar no top5, mas agora dificilmente vai conseguir entrar no top10. Com apenas 4 ciclistas a amealhar algum género de prize money (Menchov, Freire, Vorganov e Paolini), a pergunta impõe-se: o que é que mais de metade da equipa russa anda a fazer no Tour?

Lampre – ISD: A equipa italiana está na parte de baixo do 2º terço do ranking e tudo à custa de dois ciclistas: Alessandro Petacchi (6.230€), com um 2º lugar e outros 3 top10 e Michele Scarponi (4.650€) com outro 2º lugar. Apenas Danilo Hondo (600€) amealhou mais algum prize money com o seu 10º na etapa 13€, enquanto os outros 5 ciclistas tiveram em branco. Um Tour dececionante por parte da Lampre.

Liquigas – Cannondale: A outra equipa italiana está muito melhor que a sua conterrânea, ocupando o 2º lugar do ranking. Sem desrespeito pelas performances do 3º classificado na CG, Vincenzo Nibali, que com 12 top20 em etapas amealhou 6.110€, o prize money da equipa é basicamente o prize money de Peter Sagan. Sagan com 47.790€ é de longe o ciclista mais bem-sucedido neste Tour, a nível de prize money. Só para termos uma noção, apenas no prólogo é que Sagan não apresenta ganhos. 9 etapas a terminar no top10, 3 vitórias em etapas, top3 em sprints intermédios e em contagens de montanha, prémio de combatividade, melhor jovem em 8 etapas e 14 etapas a liderar a classificação dos pontos. Simplesmente brutal.

Lotto – Belisol: A Lotto ocupa o 4º lugar do ranking muito devido ao sucesso de André Greipel (32.730€) com três vitórias, dois 2º lugares e um 7º lugar. Jurgen Van Den Broeck aparece em 2º com 3.870€, resultado de seis top10. Um Tour muito positivo para a equipa belga, embora seria de esperar performances mais convincentes de Roelandts e Vanendert.

Movistar: A equipa espanhola ocupa o último lugar do ranking. De facto, apenas Vasili Kiryienka (1.150€), com a sua fuga na etapa 11, apresenta ganhos superiores a 1.000€. O vencedor da Vuelta 2011 Cobo só terminou uma etapa dentro do top20, outro vencedor da Vuelta Valverde terminou 2 etapas no top20 e o português Rui Costa terminou no top20 em três ocasiões. Com poucas oportunidades restantes para mostrarem bons resultados e apesar de ter sido alvo de muitas quedas, este Tour é muito bem capaz de se tornar num dos piores na história da equipa.

Orica GreenEdge: O líder em prize money na equipa australiana é, sem surpresas, Matthew Goss com 11.430€, resultado de cinco top10 e um 1º lugar num sprint intermedio. Daryl Impey (2.410€) e Brett Lancaster (1.380€) são os ciclistas que se seguem, curiosamente dois ciclistas que fazem parte do comboio final de Goss. Desilusão são as performances de Gerrans e Albasini que só terminaram no top20 numa etapa cada um e Weening que ainda apresenta um saldo nulo. No geral a Orica encontra-se a meio do ranking.

Omega Pharma – QuickStep: Peter Velits é o líder com 6.430€, devido a seis etapas no top20, incluindo um 3º lugar. Os outros ciclistas em destaque na equipa belga são Sylvain Chavanel (3.300€) com um 3º, 5º e um 12º e Dries Devenyns (2.760€) com dois 5º e um 10º em etapas. Desilusão por parte de Tony Martin, cujo único resultado significativo é um 12º no CRI, e por parte de Leipheimer, que prometia lutar por um lugar no top10 e está neste momento fora do top30 e o único resultado de relevo é um 20º na etapa 8. Um Tour aquém das expetativas.

Rabobank: A equipa holandesa foi uma das mais fustigadas pelas quedas da 1ª semana e encontra-se no meio do ranking, muito em parte de Luis Leon Sanchez, que além dos seus ganhos pessoais de 12.000€, resultado de uma vitória, um 4º lugar e um prémio de combatividade, também foi o responsável pelo prémio de 2.800€ para a melhor equipa da etapa 14. Bauke Mollema é o outro ciclista com algum destaque com um 11º, um 9º e um 5º lugar em etapas. Desilusão por parte de Renshaw, que apenas conseguiu um 9º lugar numa etapa.

RadioShack – Nissan: O ciclista que se destaca nesta equipa é sem dúvida Fabian Cancellara, que amealhou 18.450€. Um 1º, 2º, 3º e um 4º lugar em etapas e 7 dias de amarelo são os pontos altos do Tour do suíço. Os restantes ciclistas, excetuando Popoyich e Horner, encontram-se com ganhos entre os 1.500€ e os 2.500€. Isto reflete bem o problema dos homens da RadioShack que se encontram no top20 da CG: não há nenhum que se destaque nas etapas e marque a diferença. A RadioShack encontra-se no 1º terço do ranking e tem três prémios de melhor equipa na etapa. Somente a Sky arrecadou mais prémios de melhor equipa.

Saur – Sojasun: A Saur é a pior equipa francesa e ocupa o antepenúltimo lugar no ranking. Julien Simon é o único ciclista que se destaca com 2.700€ ao fazer top15 em 4 etapas. Desilusão por parte de Coppel, depois do seu 14º lugar no Tour 2011, e de Brice Feillu. Um Tour muito negativo por parte da equipa profissional continental.

Sky: Sem muitas surpresas, a equipa britânica lidera o ranking do prize money isolada. Por 7 ocasiões recebeu o prémio de melhor equipa da etapa, totalizando os ganhos nesse departamento em 19.600€ o que por si só seria superior aos ganhos de metade das equipas. Bradley Wiggins lidera com 21.310€, 11 etapas dentro do top20, incluindo uma vitória e dois pódios, e 9 dias a liderar a classificação geral, seguido de Christopher Froome com 17.270€, 9 etapas dentro do top 20, incluindo uma vitória e dois pódios. Edvald Boasson Hagen é outro ciclista em destaque com €9.680, 5 etapas no top10, incluindo 3 pódios, seguido de Mark Cavendish com 8.830€, uma vitória e um 5º lugar. Pequena desilusão por parte de Cavendish, que apesar de ter uma vitória em etapa, tem-nos habituado a muito mais em anos anteriores. Os números não enganam e a Sky é claramente a equipa dominadora deste Tour.

Saxo Bank – Tinkoff Bank: Com um plantel sem um grande nome, a Saxo Bank tem se vista obrigada a lutar por objetivos menores quando comparado com anos anteriores. Encontra-se na parte superior do 2º terço do ranking sem qualquer vitória em etapa, o que demonstra o esforço dos seus ciclistas. O destaque vai para Michael Morkov com 9.000€. As suas várias fugas resultaram em dois prémios de combatividade, nove 1º lugares em contagens de montanha e 6 dias com a camisola das bolinhas. De seguida encontra-se Nicki Sorensen com 4.700€, resultado da sua fuga na etapa 15 com o 4º lugar na etapa, o 1º lugar no sprint intermedio e o prémio de combatividade, e Juan Jose Haedo com 3.500€, resultado de um 8º, 5º e um 3º lugar em etapas. A fuga do Sérgio Paulinho na etapa 14 arrecadou 1.430€.

Vacansoleil – DCM: Em penúltimo lugar, a equipa holandesa é outra das equipas que foram muito afetadas pelas quedas, o que explica apenas em parte os maus resultados. Um 4º lugar de Kenny Van Hummel (1.880€), um 7º lugar de Marco Marcato (1.370€) e um 8º lugar de Kris Boeckmans (1.270€) são os resultados mais importantes da equipa. Desilusão por parte de Poels, Westra e Hoogerland. A Vacansoleil tem sido conhecida por se fazer sempre notar nas grandes voltas (o 3º lugar no Giro de De Gendt é um bom exemplo), o que é exatamente o contrário do que se passa neste Tour.

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