O Tour está hoje no seu 2º dia de descanso na cidade de Pau
nos Pirenéus. Os ciclistas vão aproveitar ao máximo o dia de hoje para
descansar e preparar a última parte deste Tour que inclui ainda duas etapas de
alta montanha e um contrarrelógio individual antes da consagração em Paris.
Enquanto no 1º dia de descanso fizemos uma pequena análise
às figuras principais do Tour e classificamos as suas performances, neste 2º
dia de descanso vamos fazer uma coisa diferente, mas que servirá o mesmo
propósito, que é analisar o Tour e ver quem está melhor e quem está pior.
Hoje olhamos para o prize
money até agora amealhado pelas equipas no Tour. Este aspeto do Tour de
France sempre foi, na nossa opinião, muito interessante e pouco debatido/discutido
e é uma ferramenta que ajuda-nos a perceber quem é que se destaca e quem está
mais ativo dentro do pelotão, mas não necessariamente quem está em melhor
forma, apesar de muitas vezes esse também ser o caso. É preciso também ter em
mente, ao olhar para estes dados, que a maior fatia do prize money é dada em Paris.
Só para dar um exemplo, Haimar Zubeldia tem menos prize money do que o seu companheiro
Jens Voigt. Contudo, se Zubeldia manter a sua posição dentro do top10 irá
amealhar muito mais dinheiro em Paris do que Voigt. Ou seja, estes dados de
agora não significam que Voigt está melhor do que Zubeldia, apenas que se
mostra e se destaca mais com as suas fugas do que Zubeldia com os seus
resultados dentro do top 20 em algumas etapas.
O gráfico acima mostra-nos qual é a situação neste momento e
enquanto a Sky e a Liquigas a liderar faz todo o sentido, a Europcar e a FDJ
tão perto da Lotto pode ser mais confuso (dica: os sprints intermédios ajudam
muito). Um dado interessante: se Peter Sagan fosse uma equipa, ele estaria
neste momento em 2º lugar no ranking do prize
money e a Liquigas caía para trás da Euskaltel.
Vamos agora analisar as 22 equipas:
Ag2R La Mondiale:
Jean-Christophe Peraud lidera com 4.800€,
mas todos provenientes da etapa 12 onde terminou no 2º lugar. Sébastien Hinault arrecadou até agora 4.000€
a partir dos seus sólidos sprints com 6 etapas no top12, incluindo um 4º lugar.
Nicolas Roche aparece em 3º com 3.190€
provenientes de 9 etapas a terminar no top20. Nota negativa para Maxime Bouet e
Christophe Riblon cujos saldos estão a zero neste Tour. No geral, a Ag2R
encontra-se no meio do pelotão, sinal de um Tour mediano por parte da equipa
francesa.
Argos – Shimano: Apenas
Tom Veelers se destaca nesta equipa
profissional continental com 3.980€ provenientes do seu 3º, 4º e 6º lugar nas
etapas 2,4 e 5. Órfã do seu homem principal Marcel Kittel, a equipa holandesa
viu-se em dificuldades para apresentar resultados e a sua posição atrasada no
ranking do prize money mostra isso
mesmo. Um Tour negativo para já.
Astana: Fredrik Kessiakoff é o ciclista com
maior destaque com 15.720€ muito devido às suas ações na montanha. Só por ter
passado em 1º no Croix de Fer o ciclista sueco arrecadou 5.000€, devido ao
bónus que se dá no ponto mais alto dos Alpes. Robert Kiserlovski, que abandonou na etapa 14, amealhou 5.720€
principalmente resultado da etapa 12, onde só o prémio da combatividade valeu
2.000€. Janez Brajkovic arrecadou
3.230€ dos seus top20 em 10 etapas diferentes. Nota negativa para Alexandr
Vinokourov que se não tem produzido qualquer resultado de relevo neste Tour,
tendo um saldo nulo. A Astana situa-se dentro do 1º terço do ranking e pode
ainda receber bónus em Paris resultante da camisola das bolinhas e do top10 de
Janez Brajkovic. Um bom Tour para a equipa cazaque.
BMC: Sem muitas
surpresas, Cadel Evans é o líder com
13.000€, resultado de vários top20, especialmente dos dois 2º lugares nas
etapas 7 e 8. Tejay Van Garderen amealhou
até este momento 8.670€. Só a camisola branca trouxe 4.200€ e dois 4º lugares 2.400€.
Em 8º lugar, esperava-se um pouco mais da BMC, especialmente com mais
resultados por parte de Gilbert, 4 top10 rendeu 3.970€, e com Evans num nível
mais próximo dos dois líderes da Sky. Contudo, a BMC ainda vai ter algumas
oportunidades com Evans, que juntamente com Van Garderen deverão ser também
premiados com bónus em Paris.
Cofidis: O líder
no prize money da equipa francesa é Nicolas Edet, que com o prémio da
combatividade e 3º no sprint intermedio da 1ª etapa amealhou 2.500€. Isto
mostra bem a situação da Cofidis neste Tour, com Moncoutie já fora do Tour e
sem brilhar nas montanhas e Taaramae muito longe dos lugares da frente, apesar
de prometer muito nas etapas inicias. De facto, desde a etapa 8 que o único
resultado de relevo é o 6º lugar na etapa 15 de Samuel Dumoulin, que é o 2º da
equipa com 2.320€. Um Tour negativo para a Cofidis, que se encontra no último
terço do ranking.
Euskaltel-Euskadi:
Sem Samuel Sanchez, a equipa basca tem tido dificuldades em produzir bons
resultados, sendo o 3º lugar na etapa 12 de Egoi Martinez o ponto alto. Pablo
Urtasun lidera o ranking, muito devido aos 3 sprints intermédios que lhe
valeu 3.500€, seguido de Martinez com 3.330€. Com 2 etapas nos Pirenéus a
Euskaltel ainda tem algumas oportunidades de se mostrar, mas para já encontra-se
no último terço do ranking.
FDJ – Big Mat: A
equipa francesa faz parte do lote de 4 equipas muito próximas umas das outras
no 1º terço do ranking, estando atualmente no 5º lugar. O destaque cai em Thibaut Pinot, que arrecadou 15.840€
com o seu 1º e 2º lugar nas etapas 8 e 11 em principal destaque. Pierrick Fedrigo é o outro vencedor em
etapa na equipa e com isso arrecadou 8.000€. Em sprintes intermédios a FDJ já
arrecadou 5000€. Um Tour muito positivo para a equipa francesa, que tem também
outros ciclistas com boas performance como é o caso de Sandy Casar (3.930€) e Matthieu
Ladagnous (4.170€).
Garmin – Sharp: Com
as sucessivas quedas na 1ª semana, que levaram ao abandono prematuro de Hesjedal
e Danielson e deixaram debilitados a maior parte dos ciclistas, principalmente
Farrar e Van Summeren, a equipa americana renasceu nas últimas etapas com a
vitória de David Millar (9.900€) e o
2º lugar de Christian Vande Velde
(4.000€) nas etapas 12 e 15 respetivamente. Nesta altura a Garmin encontra-se
no a meio dos rankings. Uma nota menos positiva para Daniel Martin, que com
apenas um 8º e um 17º lugar está com performances abaixo das expectativas.
Katusha: Uma das
equipas pior colocadas no ranking, pouco ou quase nada se tem visto da equipa
Russa. Denis Menchov lidera o
ranking com 2.840€. Com quatro top 10 nas etapas 0,7,8 e 9 Menchov prometia
inicialmente lutar por um lugar no top5, mas agora dificilmente vai conseguir
entrar no top10. Com apenas 4 ciclistas a amealhar algum género de prize money (Menchov, Freire, Vorganov e
Paolini), a pergunta impõe-se: o que é que mais de metade da equipa russa anda
a fazer no Tour?
Lampre – ISD: A
equipa italiana está na parte de baixo do 2º terço do ranking e tudo à custa de
dois ciclistas: Alessandro Petacchi
(6.230€), com um 2º lugar e outros 3 top10 e Michele Scarponi (4.650€) com outro 2º lugar. Apenas Danilo Hondo (600€) amealhou mais algum
prize money com o seu 10º na etapa
13€, enquanto os outros 5 ciclistas tiveram em branco. Um Tour dececionante por
parte da Lampre.
Liquigas – Cannondale:
A outra equipa italiana está muito melhor que a sua conterrânea, ocupando o 2º
lugar do ranking. Sem desrespeito pelas performances do 3º classificado na CG, Vincenzo Nibali, que com 12 top20 em
etapas amealhou 6.110€, o prize money
da equipa é basicamente o prize money
de Peter Sagan. Sagan com 47.790€ é
de longe o ciclista mais bem-sucedido neste Tour, a nível de prize money. Só para termos uma noção,
apenas no prólogo é que Sagan não apresenta ganhos. 9 etapas a terminar no
top10, 3 vitórias em etapas, top3 em sprints intermédios e em contagens de
montanha, prémio de combatividade, melhor jovem em 8 etapas e 14 etapas a liderar
a classificação dos pontos. Simplesmente brutal.
Lotto – Belisol: A
Lotto ocupa o 4º lugar do ranking muito devido ao sucesso de André Greipel (32.730€) com três
vitórias, dois 2º lugares e um 7º lugar. Jurgen
Van Den Broeck aparece em 2º com 3.870€, resultado de seis top10. Um Tour
muito positivo para a equipa belga, embora seria de esperar performances mais
convincentes de Roelandts e Vanendert.
Movistar: A
equipa espanhola ocupa o último lugar do ranking. De facto, apenas Vasili Kiryienka (1.150€), com a sua
fuga na etapa 11, apresenta ganhos superiores a 1.000€. O vencedor da Vuelta
2011 Cobo só terminou uma etapa dentro do top20, outro vencedor da Vuelta
Valverde terminou 2 etapas no top20 e o português Rui Costa terminou no top20 em três ocasiões. Com poucas
oportunidades restantes para mostrarem bons resultados e apesar de ter sido
alvo de muitas quedas, este Tour é muito bem capaz de se tornar num dos piores
na história da equipa.
Orica GreenEdge:
O líder em prize money na equipa
australiana é, sem surpresas, Matthew
Goss com 11.430€, resultado de cinco top10 e um 1º lugar num sprint
intermedio. Daryl Impey (2.410€) e Brett Lancaster (1.380€) são os
ciclistas que se seguem, curiosamente dois ciclistas que fazem parte do comboio
final de Goss. Desilusão são as performances de Gerrans e Albasini que só
terminaram no top20 numa etapa cada um e Weening que ainda apresenta um saldo
nulo. No geral a Orica encontra-se a meio do ranking.
Rabobank: A
equipa holandesa foi uma das mais fustigadas pelas quedas da 1ª semana e
encontra-se no meio do ranking, muito em parte de Luis Leon Sanchez, que além dos seus ganhos pessoais de 12.000€,
resultado de uma vitória, um 4º lugar e um prémio de combatividade, também foi
o responsável pelo prémio de 2.800€ para a melhor equipa da etapa 14. Bauke Mollema é o outro ciclista com
algum destaque com um 11º, um 9º e um 5º lugar em etapas. Desilusão por parte
de Renshaw, que apenas conseguiu um 9º lugar numa etapa.
RadioShack – Nissan:
O ciclista que se destaca nesta equipa é sem dúvida Fabian Cancellara, que amealhou 18.450€. Um 1º, 2º, 3º e um 4º
lugar em etapas e 7 dias de amarelo são os pontos altos do Tour do suíço. Os
restantes ciclistas, excetuando Popoyich e Horner, encontram-se com ganhos
entre os 1.500€ e os 2.500€. Isto reflete bem o problema dos homens da
RadioShack que se encontram no top20 da CG: não há nenhum que se destaque nas
etapas e marque a diferença. A RadioShack encontra-se no 1º terço do ranking e
tem três prémios de melhor equipa na etapa. Somente a Sky arrecadou mais
prémios de melhor equipa.
Saur – Sojasun: A
Saur é a pior equipa francesa e ocupa o antepenúltimo lugar no ranking. Julien Simon é o único ciclista que se destaca
com 2.700€ ao fazer top15 em 4 etapas. Desilusão por parte de Coppel, depois do
seu 14º lugar no Tour 2011, e de Brice Feillu. Um Tour muito negativo por parte
da equipa profissional continental.
Sky: Sem muitas
surpresas, a equipa britânica lidera o ranking do prize money isolada. Por 7 ocasiões recebeu o prémio de melhor
equipa da etapa, totalizando os ganhos nesse departamento em 19.600€ o que por
si só seria superior aos ganhos de metade das equipas. Bradley Wiggins lidera com 21.310€, 11 etapas dentro do top20, incluindo
uma vitória e dois pódios, e 9 dias a liderar a classificação geral, seguido de
Christopher Froome com 17.270€, 9
etapas dentro do top 20, incluindo uma vitória e dois pódios. Edvald Boasson Hagen é outro ciclista
em destaque com €9.680, 5 etapas no top10, incluindo 3 pódios, seguido de Mark Cavendish com 8.830€, uma vitória
e um 5º lugar. Pequena desilusão por parte de Cavendish, que apesar de ter uma
vitória em etapa, tem-nos habituado a muito mais em anos anteriores. Os números
não enganam e a Sky é claramente a equipa dominadora deste Tour.
Saxo Bank – Tinkoff Bank:
Com um plantel sem um grande nome, a Saxo Bank tem se vista obrigada a lutar
por objetivos menores quando comparado com anos anteriores. Encontra-se na
parte superior do 2º terço do ranking sem qualquer vitória em etapa, o que
demonstra o esforço dos seus ciclistas. O destaque vai para Michael Morkov com 9.000€. As suas
várias fugas resultaram em dois prémios de combatividade, nove 1º lugares em
contagens de montanha e 6 dias com a camisola das bolinhas. De seguida
encontra-se Nicki Sorensen com
4.700€, resultado da sua fuga na etapa 15 com o 4º lugar na etapa, o 1º lugar
no sprint intermedio e o prémio de combatividade, e Juan Jose Haedo com 3.500€, resultado de um 8º, 5º e um 3º lugar em
etapas. A fuga do Sérgio Paulinho na
etapa 14 arrecadou 1.430€.
Vacansoleil – DCM:
Em penúltimo lugar, a equipa holandesa é outra das equipas que foram muito
afetadas pelas quedas, o que explica apenas em parte os maus resultados. Um 4º
lugar de Kenny Van Hummel (1.880€),
um 7º lugar de Marco Marcato
(1.370€) e um 8º lugar de Kris Boeckmans
(1.270€) são os resultados mais importantes da equipa. Desilusão por parte de
Poels, Westra e Hoogerland. A Vacansoleil tem sido conhecida por se fazer
sempre notar nas grandes voltas (o 3º lugar no Giro de De Gendt é um bom
exemplo), o que é exatamente o contrário do que se passa neste Tour.
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