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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Antevisão do Tour: Etapa 16



A etapa nº 16 do Tour de France começa em Pau, cidade histórica dos Pirenéus, e num percurso de 197 km de alta montanha leva os ciclistas a Bagnéres-de-Luchon, outra localidade muito conhecida pelo público com mais de 50 presenças no Tour. O dia de hoje é reconhecido por muitos como a etapa rainha do Tour, com duas contagens de categoria extra e duas contagens de 1ª categoria e todas subidas históricas do Tour, como é o caso do Col d’Aubisque e o Col du Tourmalet. A última vez que o Tour terminou em Bagnéres-de-Luchon foi em 2010 com a vitória de Thomas Voeckler.

Antes do festival de montanhas, os ciclistas tem pela frente 40 km de falso plano. Na realidade, estes km iniciais são ligeiramente a subir até ao acesso da primeira contagem de montanha. Pelo meio, está situado ao km 26 o sprint intermedio. Os km de acesso ao sprint são feitos em terreno acidentado, como se pode ver no gráfico. Em situações normais, poderíamos ver as equipas dos sprinters a trabalhar para não deixar ninguém fugir até esse ponto de modo a que pudessem lutar pelos pontos máximos. Contudo, a vantagem de Peter Sagan é enorme e essa situação de corrida dificilmente acontecerá.

Após o sprint intermedio os ciclistas tem mais 15 km de ligeira subida. É nestes 40 km iniciais que se deverá forma a fuga do dia. Com tanta dureza pela frente, não é de esperar que o pelotão esteja com muita vontade de perseguir fugas durante uma hora. Espera-se, contudo, muitos ataques para formar a fuga, que deverá conter mais de 12 elementos, visto que as probabilidades de um homem da fuga ganhar a etapa são altas.

As Montanhas


  • KM 53.5 – Col d’Aubisque 1709m – 16.4 km a 7.1% - Categoria Extra
  • KM 120.5 – Col du Tourmalet 2115m – 19 km a 7.4% - Categoria Extra
  • KM 150.5 – Col d’Aspin 1489m – 12.4 km a 4.8% - 1ª Categoria
  • KM 181.5 – Col de Peyresourde 1569m – 9.5 km a 6.7% - 1ª Categoria


Ao km 40.5 os ciclistas iniciam a primeira das quatro contagens de montanha do dia, o Col d’Aubisque. Os primeiros km da subida são acessíveis, com os 7 km iniciais da subida a serem feitos a uma média de 5,5%. Se lembram-se bem, foi nestas rampas iniciais que Thor Hushovd lançou o seu ataque no Tour de 2011. Ao km 8 a estrada aumenta de inclinação para uns elevados 10% e a partir daí até ao topo nunca mais baixa dos 8% de inclinação com curvas “gancho” ingremes nos km finais.

Os ciclistas, após o topo do Col d’Aubisque, entram numa longa descida de 30 km, que é intermitente com pequenas zonas de plano. A descida será feita pelo lado do Col du Soulor e é técnica em algumas zonas. Após a descida os ciclistas encontram a zona de reabastecimento ao km 87 e percorrem 15 km em ligeira subida de acesso à segunda contagem de montanha de categoria extra, o Col du Tourmalet.

O Col du Tourmalet é provavelmente a subida mais mítica dos Pirenéus e é sem dúvida merecida desse título. Uma subida extremamente dura, muito por causa da sua irregularidade. Como podemos ver, raramente encontra-se dois km iguais seguidos, somente nos casos dos 4 km iniciais e entre o km 11 e o km 13. A subida começa em estrada larga, mas rapidamente a situação altera-se com algumas curvas “gancho” ao km 5. A subida entra na sua zona mais irregular enquanto a subida vai se tornando mais dura à medida que os ciclistas atingem o topo.

A descida de 15 km, apesar de incluir algumas curvas apertadas, não é tão técnica como a anterior e vai aligeirando à medida que os ciclistas vão descendo. Após a descida os ciclistas entram logo na próxima subida, o Col d’Aspin. Apesar de ser uma 1ª categoria, esta subida não é nada de especial. Os primeiros 8 km são feitos a 3% de inclinação para depois a estrada começar a subir a sério com 2 km a 8% mais 2 km a 7.5%.

Após mais 12 km de descida, os ciclistas enfrentam a ultima subida do dia, o Col de Peyresourde. Não é uma subida muito longa, mas é muito irregular com 3 dos 9 km a serem feitos a mais de 9% de inclinação. Uma subida complicada, que requer conhecimento tático e que seja feita de modo inteligente.


O Final


Após o topo da última contagem de montanha é quase sempre a descer até à meta. Depois de algumas curvas apertadas na parte superior da montanha, a descida torna-se mais fácil com zonas longas a serem feitas a alta velocidade. A descida termina quando faltarem 2 km para a meta. Existe uma curva muito apertada de 180ª dentro dos últimos 2000m e duas curvas de 90º à esquerda dentro dos últimos 1000m antes da reta da meta de 200m.

Os Favoritos


Com apenas mais duas etapas de montanha neste Tour, haverá certamente muitos ciclistas a tentarem entrar na fuga do dia com dois objetivos distintos: a vitória na etapa e a classificação da montanha. Com estes objetivos em mente, ciclistas como Michele Scarponi, Thomas Voeckler, Chris Anker Sorensen e Fredrik Kessiakoff tentaram a sua sorte ao longo da etapa.

Entretanto existem equipas desesperadas por vitórias em etapas, como é o caso da Movistar e da Euskaltel. Alejandro Valverde, Rui Costa, Gorka Izaguirre e Egoi Martinez são ciclistas que podem lutar hoje por esse objetivo. Daniel Martin tem hoje uma bela etapa à sua medida e Rein Taaramae já está muito afastado pela luta do top10, por isso estes dois ciclistas são boas apostas para o dia de hoje.

Entre os favoritos da classificação geral será certamente todos contra a Sky. Seria muito bom para o espetáculo que os grandes favoritos e principalmente as equipas da BMC, Lotto e Liquigas começassem logo ao ataque no Col du Tourmalet com o intuito de isolar os dois líderes britânicos. Se tal não for a estratégia, a ação ficará reservada para o Col du Peyresourde e depois com uma descida até à meta, o favorito a ganhar tempo será Vincenzo Nibali.


A transmissão televisiva começa por volta das 10:00, podendo acompanhar a etapa na Eurosport à mesma hora, com o final da etapa previsto por volta das 16:00/16:30. A etapa será transmitida na totalidade pela Eurosport e sendo uma das etapas mais importantes do Tour aconselho a ser acompanhada desde o seu início.

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